A febre maculosa é uma doença infecciosa grave causada por bactérias do gênero Rickettsia, principalmente a Rickettsia rickettsii no Brasil. A doença é transmitida pela picada de carrapatos infectados e pode evoluir rapidamente para complicações graves se o tratamento não for iniciado nos primeiros dias dos sintomas.
É uma doença de notificação compulsória imediata, devendo ser notificada ao serviço de vigilância epidemiológica por meio do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Em 2026 foram identificados mais de 2 mil casos suspeitos, sendo confirmados 19 casos no estado de São Paulo, dos quais 18 evoluíram para óbito.
Embora seja considerada uma doença relativamente rara, a febre maculosa apresenta alta taxa de mortalidade quando o diagnóstico e o tratamento são tardios. Por isso, conhecer os sinais da doença e as formas de prevenção é fundamental.
Como ocorre a transmissão?
A febre maculosa é transmitida exclusivamente pela picada de carrapatos infectados. Não há transmissão direta de pessoa para pessoa.
No Brasil, os principais transmissores são:
- Carrapato-estrela (Amblyomma sculptum e Amblyomma aureolatum);
- Outras espécies de carrapatos também podem atuar como vetores em determinadas regiões.
O carrapato precisa permanecer fixado na pele por algumas horas para aumentar o risco de transmissão da bactéria. Quanto mais cedo ele for removido, menor é a chance de infecção.
Onde há maior risco?
O risco é maior em áreas onde há grande presença de carrapatos, como:
- Fazendas e sítios;
- Áreas rurais;
- Trilhas e matas;
- Margens de rios e lagoas;
- Parques com vegetação alta;
- Locais com grande população de capivaras, cavalos, cães e outros animais que podem transportar carrapatos.
As capivaras não transmitem diretamente a doença às pessoas, mas ajudam a manter o ciclo da bactéria na natureza.
Quais são os sintomas?
Os sintomas geralmente aparecem entre 2 e 14 dias após a picada.
Os primeiros sinais costumam ser:
- Febre alta de início súbito;
- Dor de cabeça intensa;
- Dores musculares;
- Cansaço;
- Calafrios;
- Náuseas e vômitos;
- Dor abdominal;
- Perda do apetite.
Após alguns dias podem surgir:
- Manchas avermelhadas na pele (máculas), principalmente nos punhos, tornozelos, mãos e pés;
- As manchas podem espalhar-se pelo corpo.
É importante saber que nem todos os pacientes apresentam manchas na pele, principalmente nos primeiros dias da doença.
Quando a doença é grave?
Sem tratamento precoce, a bactéria pode provocar:
- Inflamação dos vasos sanguíneos;
- Insuficiência renal;
- Pneumonia;
- Hepatite;
- Alterações neurológicas;
- Convulsões;
- Choque;
- Falência de múltiplos órgãos;
- Morte.
A gravidade aumenta significativamente quando o tratamento é iniciado após o quinto dia de sintomas.
Como é feito o diagnóstico?
O médico considera:
- História de exposição a carrapatos ou áreas de risco;
- Sintomas apresentados;
- Exame físico;
- Exames laboratoriais específicos.
Os principais exames incluem:
- Sorologia;
- PCR para detecção da bactéria;
- Exames de sangue que mostram alterações como queda das plaquetas e alterações das enzimas do fígado.
Como os exames específicos podem demorar para confirmar a doença, o tratamento deve começar imediatamente quando houver suspeita clínica, sem esperar o resultado.
Qual é o tratamento?
O tratamento é feito com antibióticos.
A doxiciclina é o medicamento de escolha para adultos e crianças, sendo mais eficaz quando iniciada nos primeiros dias da doença.
Quanto mais cedo o tratamento começa, maiores são as chances de cura e menores os riscos de complicações.
Casos graves podem necessitar de:
- Internação hospitalar;
- Hidratação venosa;
- Oxigênio;
- Suporte intensivo em Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Como retirar um carrapato corretamente?
Se encontrar um carrapato preso à pele:
- Utilize uma pinça de ponta fina;
- Segure o carrapato o mais próximo possível da pele;
- Puxe lentamente, sem torcer;
- Lave bem o local com água e sabão;
- Não esmague o carrapato com as mãos.
Evite utilizar:
- Álcool;
- Óleo;
- Vaselina;
- Fósforo ou calor.
Esses métodos podem favorecer a liberação da bactéria pelo carrapato.
Como prevenir?
As principais medidas são:
- Usar calças compridas e botas em áreas de risco;
- Colocar a barra da calça dentro das meias;
- Utilizar roupas claras, facilitando a visualização dos carrapatos;
- Aplicar repelentes indicados para carrapatos nas roupas e na pele, conforme orientação do fabricante;
- Inspecionar cuidadosamente o corpo após caminhadas em áreas de vegetação;
- Examinar cães, cavalos e outros animais que possam trazer carrapatos para casa;
- Manter gramados aparados e reduzir áreas de vegetação alta ao redor das residências.
Quando procurar atendimento médico?
Procure imediatamente um serviço de saúde se apresentar:
- Febre alta após frequentar áreas com carrapatos;
- Dor de cabeça intensa associada à febre;
- Dores musculares importantes;
- Manchas na pele;
- Histórico recente de picada de carrapato.
Informe sempre ao profissional de saúde se esteve em locais com presença de carrapatos, mesmo que não tenha percebido a picada.
A febre maculosa tem cura?
Sim. Quando diagnosticada precocemente e tratada rapidamente com o antibiótico adequado, a maioria dos pacientes evolui para a cura.
Entretanto, o atraso no início do tratamento aumenta muito o risco de complicações graves e óbito.
Principais cuidados
- Evite contato desnecessário com áreas infestadas por carrapatos.
- Faça inspeção do corpo após atividades ao ar livre.
- Remova rapidamente qualquer carrapato encontrado.
- Não espere o aparecimento das manchas para procurar atendimento.
- Em caso de febre após exposição a carrapatos, procure assistência médica imediatamente.
Fontes confiáveis
- Ministério da Saúde – Guia de Vigilância em Saúde e informações sobre Febre Maculosa.
- Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).
- Sociedade Brasileira de Infectologia (SBI).
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC) – Informações sobre doenças transmitidas por carrapatos.
Esse conteúdo educativo é apenas informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.


