Autor Dr. Alexandre Ghelman
Treinar a mente para voltar ao presente
A ansiedade costuma empurrar a mente para a frente ou ficar presa no passado. Ela faz a pessoa viver preocupada com o que pode acontecer, antecipando problemas, revendo situações e imaginando cenários negativos. É por isso que a meditação tem chamado tanta atenção: ela ajuda a desenvolver justamente a habilidade oposta, que é voltar ao presente.
Meditar não significa “esvaziar a mente” nem parar de pensar. Significa aprender a observar pensamentos, sensações e emoções sem reagir de forma automática a tudo o que surge. Em vez de ser arrastada por cada preocupação, a pessoa começa a perceber o que está acontecendo dentro dela com mais clareza.
Esse processo tem base científica. Estudos mostram que práticas meditativas, incluindo as práticas de atenção plena (mindfulness), podem ajudar a reduzir sintomas de ansiedade, melhorar a atenção e favorecer a regulação emocional. Isso acontece porque a meditação treina áreas e circuitos cerebrais ligados ao foco, à percepção interna e ao controle das reações emocionais.
De forma simples, podemos dizer que a meditação fortalece a capacidade de notar quando a mente saiu do eixo e trazê-la de volta. A pessoa percebe que foi levada por uma preocupação, por um medo ou por um pensamento repetitivo, e então retorna para a respiração, para o corpo ou para o momento presente. Esse movimento de “perceber e voltar” é o centro da prática.
Na ansiedade, isso é muito valioso. Quem está ansioso costuma acreditar em tudo o que a mente diz, como se cada pensamento fosse um aviso urgente. A meditação ajuda a criar um pequeno espaço entre o pensamento e a reação. Nesse espaço, surge mais liberdade, como dizia Victor Frankl.
Outro ponto importante é que a meditação também ajuda no contato com o corpo, na autoconsciência corporal. Muitas vezes, a ansiedade aparece primeiro como tensão, aperto no peito, aceleração, desconforto abdominal ou inquietação. Ao praticar meditação, a pessoa aprende a notar esses sinais antes que eles cresçam demais. Isso favorece uma resposta mais consciente.
Além do benefício biológico e psicológico, a meditação representa um treino direto de presença. Se a ansiedade vive no passado e no futuro, a meditação convida ao agora.
É claro que a meditação não substitui tratamento médico ou psicológico quando a ansiedade é intensa ou persistente. Ela funciona como parte de um cuidado mais amplo e holístico. É uma ferramenta de autocuidado acessível e altamente efetiva.
Começar pode ser mais fácil do que parece. Alguns minutos por dia, com atenção à respiração ou ao corpo, já são um bom início. O importante não é a perfeição, mas praticar.
Num mundo acelerado, meditar é treinar a mente para não ser sequestrada o tempo todo pela urgência, pelo medo, excesso de informação e pela antecipação. É um caminho simples, mas profundo, para lidar melhor com a ansiedade e cultivar o equilíbrio interior.
Esse conteúdo educativo é apenas informativo e não substitui a orientação de um profissional de saúde.


